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18.6.10

Festa do Espírito Santo no Penedo: preparar o bodo



Começaram logo de manhã. Primeiro havia que fazer o lume e a lenha estava verde. Mobilizou-se desde logo o senhor Luís para ir buscar uns toros em condições, que permitissem aos cozinheiros - todos homens maduros - dar o seu melhor. Descascavam e cortavam os legumes, os tubérculos e a carne, iam mostrando a desteza na gestualidade fina - como a cortar os dentes de alho, com grande rapidez - provavam e davam a provar entre si o resultado, revezavam-se à hora do almoço para que os grandes tachos não ficassem desgovernados. O resultado, já vimos, parece ter sido do agrado geral. O aroma, garantimos, era sedutor.











Festa de Espírito Santo no Penedo - a distribuição alimentar generalizada



Entre os momentos fortes da sequência festiva está o bodo. A morte do animal ritual e o seu consumo generalizado, com distribuição de sopa, carne, vinho e pão a quantos apareçam, requer uma preparação prévia, de que falaremos noutra ocasião. Os tempos mudaram e o animal é agora morto no matadouro. Também para os mais novos o vinho foi alvo de anátema e substituído pelos refrigerantes. Este formato de comensalidade colectiva, que atraía até há 30 anos grande número de mendigos, juntava à mesma mesa os que aí se sentavam, por promessa. Hoje vemos alguns voventes que distribuem moedas por quantos se sentam à mesa e tomam aí lugar todos os que o desejam - velhos e novos habitantes do Penedo, forasteiros, cameraperson, aprendizes de etnógrafos. Por todo lado, são cada vez em maior número as câmaras dos que filmam, nuns casos «para mais tarde recordar», noutros para emitir em estações de televisão de âmbito regional que tentam implantar-se e conquistar públicos.